Conforme nos referimos noutro local deste site, até recentemente, todas as nossas pesquisas sob o título "fiadeiro" mostravam dois tipos de significado, o de apelido, que se circunscrevia à nossa família, e o de música popular galaico-lusitana, ou ainda a recreação cultural associada a canto e música, mas aqui o vocábulo refere normalmente "o fiadeiro", ou "um fiadeiro".
Sugerimos por curiosidade uma visita a um destes sites musicais, "o fiadeiro" onde se pode baixar amostras desse tipo de música folclórica, normalmente acompanhada de adufes, entre nós mais conhecido por pandeiretas com guisos.
Esse site é galego, mas temos entre nós mais entidades, como p. ex. a Associação Recreativa e Cultural o Fiadeiro de Pitões, dinamizado pela Junta de Freguesia de Pitões das Júnias.
Do que pudemos consultar, ficámos com a ideia de este termo fiadeiro deriva realmente da prática de fiar, muito comum na vasta região galaico-duriense e em que era comum essa actividade ser exercida em grupos de mulheres que cantavam enquanto fiavam e a que foi sendo adicionado acompanhamento musical, à base de instrumentos de uso local, como a gaita de foles e os adufes.
Daqui evoluiu para um tipo de divertimento que extravasou os serões colectivos a fiar e evoluiu para um tipo próprio de música popular, presente em momentos festivos.
Igualmente associado aos serões de fiação colectiva ficou associado a este termo fiadeiro o sentido de conversa social, de má lingua feminina, daí "a conversa fiada".
Temos assim que este termo fiadeiro, embora aparentemente tenha a sua origem associada à prática de fiar, na sua evolução veio a adquirir significados diferentes, como são o de tipo musical folclórico, ou de conversa fiada ou enrolada, por vezes associada a eventos festivos, de paródia, "os fiadeiros".
Nesta ordem de ideias, não é de estranhar que possa ter acontecido este termo ter sido usado como alcunha aplicada a personagens particularmente activas e evidenciadas nos respectivos povoados, por estes motivos, e daí passarem a ser conhecidos pela alcunha, o que terá por seu lado dado origem a que o fiadeiro ter ficado associado ao nome próprio, a exemplo de outros casos semelhantes.
No caso dos fiadeiros que encontámos na zona de Alijó, região de tradições célticas, esta hipótese parece fazer bastante sentido, embora não nos tenha sido possível apurar a veracidade, até por que não conseguimos encontrar descendentes a quem perguntar.
O mesmo em relação ao Pero Fernades, salineiro em Aveiro, condenado em 1615 por blasfémia.
No caso da nossa família, existem bastantes indícios de se tratar de fiação industrial, pois na sua descendência existem bastantes casos comprovados de exercício desta actividade, bem como relacionamento conjugal com a família Graínha, aí com administradores referenciados na Real Fábrica da Covilhã, mas o facto é que ainda não conseguimos ter acesso a qualquer indício escrito, nem mesmo no Museu da Lã, o local mais indicado para ter dados sobre a história dos lanifícios na Covilhã.
Finalmente, embora não se possa por de parte a possibilidade de descendermos de um divertido músico folclórico, o facto de ter sido tão solicitado para padrinho de batismo, aponta mais para um conceituado industrial.
E é por esta última hipótese que nos quedamos, até prova em contrário!
Se alguém tiver algo a dizer sobre este tema, agradecemos desde já que nos contacte.